terça-feira, 28 de julho de 2009


Quem me dera ter-te conhecido melhor, quem me dera que tivéssemos conversado, trocado algumas opiniões, alguns gestos de mãos, talvez algumas gargalhadas entre chávenas de café e cigarros. Em vez disso, sonho contigo, com os teus olhos, tuas mãos e teu conhecimento. Perco-me em sonhos constantemente. Todo o dia anseio beijar-te, se é que ainda me lembro como isso se faz. Tenho pura necessidade emocional. Deixaria de comer por um abraço.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Bebam veneno!


Passei há momentos pela praça de toiros. Ainda bem que não tinha nada para fazer por aqueles lados, porque o estacionamento estava impossível num raio de pelo menos 1500 metros. Eu gostaria que me explicassem qual é a piada daquilo. Sim, qual é a piada de se estar ali horas seguidas a ver pessoal a brincar com um animal, bastante perigoso, que provavelmente a esta hora estaria a dormir ao pé dos outros, ruminando umas ervitas, na paz do cerrado, mas que está a ser "espetado" com farpas e "embebedado" com as voltas e mais voltas que é obrigado a dar naquele recinto? Qual é a piada de ver o touro a esvair-se em sangue? ou os forcados todos partidos? qual é a bravura de espetar farpas enormes, amaricadas de fitas e bandeiras de patrocinadores, chamadas de bandarilhas, no dorso de um animal que não consegue se aperceber que a verdadeira ameaça vem de cima, parte do cavaleiro e não do cavalo que está a correr contra ele (e ainda querem "picar" o toiro no inicio da corrida, como se o que está programado não fosse suficiente).

Há quem compare as touradas de praça à "grandiosidade"dos antigos circos de Roma e os toiros aos leões. Gaita pá! Arranjem leões pá! Se é sangue e circo que querem, se querem bravura, arranjem leões! Assim, sim!, esse animal daria verdadeira luta, e o homem (infelizmente as mulheres também já se estão a meter nisso também), teria menos hipóteses de sobreviver, quero dizer, homens, mulheres, cavalos, o que quer que lá entrasse, e então os espectadores já poderiam dizer que a "leonada" tinha sido um "espectáculo" porque tinham morrido não sei quantos "leoneiros", e que o sangue derramado quase tinha coberto a areia toda da praça. Costuma-se dizer, em relação às touradas à corda, que se numa tourada alguém for pegada, que foi boazinha, se foi parar ao hospital, foi muito boa, e se morreu, foi espectacular... ao menos é uma tourada bem mais justa para o toiro, que pelo sempre pode dar umas valentes tareias nalguns toleirões. Também gosto muito da publicidade "vestida" nos capinhas. Estava a ser irónica. Isto vai tudo de mal a pior...

Voltando às touradas de praça, só há uma coisa que eu gosto de ver: a maestria do cavaleiro a dominar o cavalo. Sim, sei que é preciso bastante treino conjunto para conseguir pôr o cavalo a "dançar" e mais ainda para conseguir convencer o bicho a enfrentar o toiro e a investir contra ele. Gosto de ver as crinas do cavalo adornadas de fitas e flores e o seu pêlo bem tratado. quando entram as "farpas amaricadas" estragou tudo!

Até tolero os toureiros, que com as suas capas vermelhas levam o animal à exaustão e à bebedeira, mas fazem-no praticamente sem terem qualquer tipo de contacto directo com o animal e principalmente sem o magoarem. Se é tourada em que o toureiro mata o touro, estragou tudo!

Os forcados! Ai os forcados! Onde é que esses rapazes andam com a cabeça?!? são maníaco-depressivos? masoquistas? têm tendências suicídas? então matem-se de uma vez, pá! Atirem-se da rocha a baixo, dêem um tiro nos cornos, bebam veneno! É um desperdício de energia, de tempo, de vida ou morte. Que porcaria de bravura é essa que eu não compreendo? Não é assim que um homem (ou mulher também...) mostra que é bravo ou corajoso! Não quando a sua coragem depende da investida de um animal que pensa estar a defender o seu teritório ou a si mesmo, que está a ser provocado sem qualquer fundamento natural! E o público? Serão todos sádicos?

Como sou diferente de todas as pessoas, e não tenho com quem me abrir, desabafei nestas linhas o que é apenas a minha opinião... não faço dela um estandarte, mas enquanto não me explicarem o sentido disto tudo eu vou continuar a pensar da mesma maneira.

segunda-feira, 29 de junho de 2009


Sinto-me só.

Sim, este blog é egoísticamente sobre mim e os meus sentimentos. Reservo-me a esse direito.


Sinto-me tão só a ponto de pensar que qualquer homem que me dê atenção pode estar ou vir a estar interessado em mim. É uma coisa estapafúrdia, contra a qual eu luto a todo o tempo, mas é a pura da verdade. Não sou atraente nem tenho atributos físicos que possam dar nas vistas. Nenhum homem poderá alguma vez apaixomar-se por mim à primeira vista, penso que o que me aterroriza é entrar na meia idade e atravessar a velhice sozinha. Sim, porque os filhos vão embora e se não morrermos vamos para a reforma. Se eu não morrer, ao menos que enviuve!


Mais verdade ainda é o facto de eu morrer de terror de voltar a sofrer daquela forma. Por isso esquivo-me a saídas noturnas, idas a festas, bares, etc, porque posso vir a conhecer mesmo alguma pessoa a quem agrade. E ele vai ser diferente daquilo a que eu estou acostumada e eu vou já ser uma mulher diferente daquilo que fui. E não quero voltar ao mesmo. Não quero voltar a voltar ao sítio onde supostamente vi alguém e não o encontrar lá, ou encontrá-lo, mas esconder-me para ele não me ver. Não quero andar como um cão atrás dele, a suplicar qualquer tipo de atenção.


Eu preciso que me dêm valor. Que me procurem, liguem, digam coisas bonitas sem eu pedir e mostrem apreço sem eu esperar. Tal como eu fiz. E não deram valor.

sábado, 27 de junho de 2009

Começar a matar

Estou a chegar a uma idade em que a vida começa a revelar-se a rameira que é. Primeiro, o divórcio; segundo, o pessoal mais jovem e com mais habilitações “literárias” começa a ocupar os cargos que nos deveriam caber por mérito e experiência; terceiro, começam a morrer os pais dos nossos amigos, os nossos tios, os nossos vizinhos. Tenho vezes em que dou por mim a pensar que não fui feita para o sofrimento, digo, acho que a minha geração não foi instruída para sofrer. Morria um avô ou avó e iamos ver televisão com um mano ou primo mais velho, que ficava encarregue de cuidar de nós enquanto os pais e restante família ia velar e enterrar o “morto”. Eu sei que o falecimento dos meus pais vai custar-me muito, isto se eu lhes sobreviver. Mas tenho manifestado o meu pesar ao meus conhecidos pelo falecimento dos seus entes queridos de uma foram um bocado... falsa. Encenada. Emociono-me a ver o sofrimento deles, não sou feita de pedra, mas sinto-me como que dormente em relação à morte. Se olho para um corpo , digamos, normal, sinto como se estivesse a olhar para uma escultura de cera cujo objectivo é fornecer um vislumbre da nossa “possível” morte. Só que esta é certeira.

Eu sinto-me inatingível pela morte, tal como me sentia inantigível pela doença ou pelos acidentes. Até que me acertaram em cheio...