segunda-feira, 29 de junho de 2009


Sinto-me só.

Sim, este blog é egoísticamente sobre mim e os meus sentimentos. Reservo-me a esse direito.


Sinto-me tão só a ponto de pensar que qualquer homem que me dê atenção pode estar ou vir a estar interessado em mim. É uma coisa estapafúrdia, contra a qual eu luto a todo o tempo, mas é a pura da verdade. Não sou atraente nem tenho atributos físicos que possam dar nas vistas. Nenhum homem poderá alguma vez apaixomar-se por mim à primeira vista, penso que o que me aterroriza é entrar na meia idade e atravessar a velhice sozinha. Sim, porque os filhos vão embora e se não morrermos vamos para a reforma. Se eu não morrer, ao menos que enviuve!


Mais verdade ainda é o facto de eu morrer de terror de voltar a sofrer daquela forma. Por isso esquivo-me a saídas noturnas, idas a festas, bares, etc, porque posso vir a conhecer mesmo alguma pessoa a quem agrade. E ele vai ser diferente daquilo a que eu estou acostumada e eu vou já ser uma mulher diferente daquilo que fui. E não quero voltar ao mesmo. Não quero voltar a voltar ao sítio onde supostamente vi alguém e não o encontrar lá, ou encontrá-lo, mas esconder-me para ele não me ver. Não quero andar como um cão atrás dele, a suplicar qualquer tipo de atenção.


Eu preciso que me dêm valor. Que me procurem, liguem, digam coisas bonitas sem eu pedir e mostrem apreço sem eu esperar. Tal como eu fiz. E não deram valor.

sábado, 27 de junho de 2009

Começar a matar

Estou a chegar a uma idade em que a vida começa a revelar-se a rameira que é. Primeiro, o divórcio; segundo, o pessoal mais jovem e com mais habilitações “literárias” começa a ocupar os cargos que nos deveriam caber por mérito e experiência; terceiro, começam a morrer os pais dos nossos amigos, os nossos tios, os nossos vizinhos. Tenho vezes em que dou por mim a pensar que não fui feita para o sofrimento, digo, acho que a minha geração não foi instruída para sofrer. Morria um avô ou avó e iamos ver televisão com um mano ou primo mais velho, que ficava encarregue de cuidar de nós enquanto os pais e restante família ia velar e enterrar o “morto”. Eu sei que o falecimento dos meus pais vai custar-me muito, isto se eu lhes sobreviver. Mas tenho manifestado o meu pesar ao meus conhecidos pelo falecimento dos seus entes queridos de uma foram um bocado... falsa. Encenada. Emociono-me a ver o sofrimento deles, não sou feita de pedra, mas sinto-me como que dormente em relação à morte. Se olho para um corpo , digamos, normal, sinto como se estivesse a olhar para uma escultura de cera cujo objectivo é fornecer um vislumbre da nossa “possível” morte. Só que esta é certeira.

Eu sinto-me inatingível pela morte, tal como me sentia inantigível pela doença ou pelos acidentes. Até que me acertaram em cheio...